segunda-feira, 22 de março de 2010

AOS TEUS PÉS

AOS TEUS PÉS
[Pablo Neruda]

Quando não te posso contemplar

Contemplo os teus pés.

Teus pés de osso arqueado,

Teus pequenos pés duros,

Eu sei que te sustentam

E que teu doce peso

Sobre eles se ergue.

Tua cintura e teus seios,

A duplicada purpura

Dos teus mamilos,

A caixa dos teus olhos

Que há pouco levantaram vôo,

A larga boca de fruta,

Tua rubra cabeleira,

Pequena torre minha.

Mas se amo os teus pés

É só porque andaram

Sobre a terra e sobre

O vento e sobre a água,

Até me encontrarem.


[Pablo Neruda]

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