domingo, 4 de abril de 2010

CANÇÃO DO AMOR IMPREVISTO

CANÇÃO DO AMOR IMPREVISTO
[Mário Quintana]




Eu sou um homem fechado.

O mundo me tornou egoísta e mau.

E a minha poesia é um vício triste,

Desesperado e solitário

Que eu faço tudo por abafar.

Mas tu apareceste com a tua boca fresca de madrugada,

Com o teu passo leve,

Com esses teus cabelos...

E o homem taciturno ficou imóvel, sem compreender

nada, numa alegria atônita…

A súbita, a dolorosa alegria de um espantalho inútil

Aonde viessem pousar os passarinhos.


[Mário Quintana]

sábado, 3 de abril de 2010

O VENTO NA ILHA

O VENTO NA ILHA
[Pablo Neruda]


Vento é um cavalo:

ouve como ele corre

pelo mar, pelo céu.

Quer me levar: escuta

como ele corre o mundo

para levar-me longe.

Esconde-me em teus braços

por esta noite erma,

enquanto a chuva rompe

contra o mar e a terra

sua boca inumerável.

Escuta como o vento

me chama galopando

para levar-me longe.

Como tua fronte na minha,

tua boca em minha boca,

atados nossos corpos

ao amor que nos queima,

deixa que o vento passe

sem que possa levar-me.

Deixa que o vento corra

coroado de espuma,

que me chame e me busque

galopando na sombra,

enquanto eu, protegido

sob teus grandes olhos,

por esta noite só

descansarei, meu amor.


[Pablo Neruda]

sexta-feira, 2 de abril de 2010

BILHETE

BILHETE
[Mário Quintana]


Se tu me amas,

ama-me baixinho.

Não o grites de cima dos telhados,

deixa em paz os passarinhos.

Deixa em paz a mim!

Se me queres, enfim,

.....tem de ser bem devagarinho,

.....amada,

.....que a vida é breve,

.....e o amor

.....mais breve ainda.

[Mário Quintana]

Template by:
Free Blog Templates